Sábado, Julho 25, 2009

Reciclar em Barretos é possível?

A forma como o homem passou a transformar o ambiente no qual estava inserido, através do trabalho, sobretudo após a Revolução Industrial, se apropriando de técnicas cada vez mais sofisticadas para tal, demonstrou não só sua eficácia não só em transformar o ambiente, também em exaurir seus recursos ao ponto de nos deparamos com a questão da própria sobrevivência da espécie.

O homem já causa impacto no planeta, antes mesmo de se tornarmos “gente”. Um bebê, que utiliza fralda descartável, antes dos seus dois anos de vida, utilizou cerca de 5500 fraldas, uma fralda descartável demora cerca de 450 anos para se decompor, e se tornaram hoje o terceiro lixo mais comum.

A quantidade de lixo, produzida por dia, por um ser humano, em média - em países mais desenvolvidos, esse número aumenta assustadoramente - de 5 quilos. No Brasil, produzimos por dia 240.000 toneladas de lixo por dia.

Com o crescimento do consumo, naturalmente, o lixo que produzimos aumenta, ainda assim, não tomamos atitudes radicais para modificar nossos hábitos. Discutem-se acordos, políticas de incentivo a hábitos menos depredatórios, mas nada de mudanças efetivas.

Todavia, o que um cidadão barretense como eu pode fazer? Com essa indagação em mente, comecei a separar o lixo que produzo.

Bastaram algumas pesquisas no Google, e descobri o que poderia ser ou não reciclado.

Minhas caixas de leite, embalagens de plástico, latinhas de cerveja e garrafas de vinho, - não bebo tanto assim ;-) - copinhos de plástico... foi surpreendente ver a estatística acima realizada na prática, sacos e mais sacos de lixo que antes iam para os aterros estavam agora embalados, secos e prontos para serem reaproveitados, estavam?

Outro desafio surgiu, para onde iria todo esse material?

Aqui em Barretos não existe um programa de coleta seletiva, se ele existe, passa longe da porta da minha casa. O interessante é que vejo cada vez um número maior de coletores – verdadeiros guerreiros - andando com seus carrinhos improvisados, passando pelas ruas mais movimentadas, coletando papel e outros recicláveis. Mas mesmo assim, sair à procura deles com sacos de material reciclável dificulta em muito todo o processo.

Por sorte, conversando com os vizinhos, tive boas notícias: Um dos vizinhos separa garrafas plásticas para a APAE de Barretos. Ótimo, as dúzias de garrafas amontoadas na minha varanda já tinham destino, mas e os outros materiais? Conversando um pouco mais com os vizinhos, uma vizinha, que também separa o lixo, leva para uma pessoa que ela conhece. Show de bola, já ficou mais fácil continuar separando o lixo. Mas, pensei: “Será que todos têm a sorte de ter vizinhos?”

Não tenho resposta para essa pergunta, mas com ela, surgiram outras perguntas:

“Porque Barretos não tem um programa efetivo de reciclagem?”

“Esses catadores de lixo, se agregam de que forma? Em cooperativa ou tem algum intermediário?”

“Os órgãos públicos reciclam o lixo que geram?”

Também não tenho resposta para essas, mas um projeto me veio à mente:

- Uma cooperativa auto-sustentável de catadores de lixo, eliminando intermediários, e com isso sendo mais bem remunerados.

- Todas as repartições e órgãos públicos deveriam por separar o lixo de forma seletiva – “a palavra convence, mas o exemplo arrasta”.

- Um serviço de coleta efetivo, com pontos de recolhimento em lugares estratégicos e rotas de coleta bem definidas.

- Divulgação por canais públicos, incentivando a reciclagem.

Curitiba é uma cidade exemplo. Eles conseguiram se tornar referencia mundial em reciclagem. Empregam catadores que recebem salários dignos.

Fica então a pergunta, como podemos fazer com que Barretos seja mais do que a cidade da festa do peão? É possível um projeto desse em Barretos?

Links: Pé de manga
Fraldas de pano
Curitiba, exemplo em reciclagem.
O que pode ser reciclado.
Coleta seletiva.

Política dos 3 R's

De uma forma irônica, justamente, ao entrar em um Shopping Center – os grandes Templos do consumo – vi uma placa que me chamou a atenção. Dizia: “Faça uso da Política dos 3 R’s – Reduzir, Reutilizar e Reciclar”.

No momento, só achei irônico aqueles dizeres ali na entrada do lugar que tem, por concepção, nos incentivar o contrário: consumir, consumir e consumir... Contudo, após passar o pequeno espasmo, pensei em como estão minhas atitudes enquanto consumidor. Percebi sem a necessidade de muita reflexão, de que elas careciam de alguma mudança e decidi colocar em prática a "Política dos 3 R's".

Não é uma atitude fácil... a avalanche de anúncios apelativos, incentivando o consumo desnecessário estão por toda volta: "Beba isso, e saia com a gostosa do comercial. Coma aquilo, e irá milagrosamente ter uma vida saudável e um corpo escultural. Fume tal cigarro e terá muitos amigos. Compre esse tênis e se tornará um atleta." Que saudades do comercial do Chá Coscarque. =)

Todavia, com algum esforço e boa vontade, é possível conseguir bons resultados com o consumo consciente, além de sanear seus gastos financeiros.

Por que eu preciso sempre ter o último modelo de celular, porque meu notebook precisa ser sempre o mais atual, se o que tenho está ótimo para minhas necessidades? Porque preciso daquele tênis, se já tenho alguns que nem uso?

O maior desafio em reduzir o consumo e reutilizar o que já tem, é emocional.

O homem moderno se afirma enquanto ser, não pelo que ele é, não por seus sonhos, medos, angustias, conquistas, incertezas... nossa afirmação enquanto ser não é pelo que somos, mas pelo que consumimos. Isso nos tornou meros autómatos consumidores de bens desnecessários, seres viventes de vidas cheias de bens e vazias de significado. “Consumo, logo existo”.

Vencer a necessidade de possuir, consumir, de sentir inserido, manter o "statu quo" tem sido um desafio interessante e uma luta constante.

Nessa viagem pela realização da "Política dos 3 R's", ainda surgiu um desafio deveras interessante, que é reciclar... mas deixo pro próximo post.

Terça-feira, Maio 19, 2009

Os poderes instituídos e os que tem poder.

Quando o filósofo Charles de Montesquieu em seu livro "O Espírito das Leis", influenciado por John Locke e Aristóteles, definiu a "Teoria da Separação dos Três Poderes", criando uma alternativa e subjugando com isso o 'poder divino' dos Reis Absolutistas e da Igreja (já abatida pela Revolução Protestante), o Barão entrou para história criando uma estrutura governamental muito mais interessante do que as estabelecidas.

Essa nova estrutura de poder, que é capaz de moderar os poderes do estado compostas pelo:

. Poder Judiciário, cuja competência é lidar com o que já aconteceu, tendo a prerrogativa de julgar, de acordo com as leis da sociedade;

. O Poder Legislativo, cujo objetivo é criar leis, tendo a prerrogativa de regular o que ainda está por acontecer e

. Poder Executivo, que possui como atribuição governar o povo e administrar os interesses públicos, lidando então com o que está acontecendo.

Sabiamente, Montesquieu, definiu poderes com esferas de competência para lidar com o passado, futuro e presente.

Estes são os poderes que estabelecidos à época do Iluminismo e que definem hoje, o que os países capitalistas chamam de: Estado Democrático. Porém a história mostra que nem sempre os três poderes detinham(detêm) o poder sobre a sociedades.

A influência das sociedades secretas, determinaram os rumos tomados em várias sociedades. Nos EUA, a influência da Maçonaria foi decisiva para a independência e desenvolvimento do país.

Na história moderna, temos outros poderes não instituídos que também determinam os caminhos da sociedade. No Rio de Janeiro, o crime organizado, manda mais do que a polícia, e isso é notório.

Indo direto ao ponto, para mim o poder não instituído mais poderoso hoje, é a Mídia! Lembra da eleição do Collor e depois dos Caras Pintadas?

Um artigo que li no Observatório da Imprensa, me fez pensar se estamos diante de uma significativa mudança na estrutura dos poderes não instituídos.

O surgimento da Mídia Colaborativa, a força que os blogs vem demonstrando como meio de informação, o hype do Twitter..., são para mim, marcos do início da derrocada da grande imprensa e tudo isso, junto com a crise de confiança / financeira, pela qual o mundo está passando, está levando grandes Jornais, ou ao fechamento, ou a uma profunda reformulação para se adequarem a nova realidade. Isso mostra que alguma coisa está acontecendo.

O ambiente anárquico que a Internet propicia, sendo um marco na história da humanidade, me faz acreditar que estamos diante de uma profunda mudança no delicado equilíbrio de poderes.

Seria uma utopia se realizando? A história se recriando? Ou uma viagem sem sentido?

Segunda-feira, Abril 20, 2009

Mídias Sociais e Colaboração

Não é de hoje que as grandes mídias estão enveredando pelos caminhos “nunca dantes navegados” da Internet.

Confesso que vejo esse processo, com um pouco desgosto, mas como algo natural e até irreversível, das grandes mídias se apropriarem de meios livres como forma de chegar ao “grande público”.

O porém nesse caso, é que mesmo querendo interagir forma diferente, a grande mídia sofre de uma antiga falta de percepção de que o mundo, sobretudo na internet, de alguma forma está se tornando mais colaborativo.

Isso me faz lembrar de uma discussão que tive com meu amigo Diógenes, Pedro e Lívia, numa mesa de bar, sobre a teoria do gene egoísta. Para mim, em termos essenciais, os seres humanos são mais colaborativos do que competitivos, embora o fato de todos nós nos “darwinizarmos”, e a competição ficar mais evidente em todas as esferas do ser.

Acredito que existe sim a competição e que ela é essencial para nossa evolução, o que acho é que essencialmente, somos colaborativos, mas se essa tese estiver equivocada, com certeza, somos a única espécie que pode escolher ser colaborativa.

Voltando para a internet. Ontem no “Show da Vida”, rolou uma matéria sobre mídias sociais, que entrevistou um grupo de amigos, que organizaram um encontro através do Twitter, entre esses amigos, o @leopalagi, que fez um ótimo vídeo que mostra o quanto a grande mídia, ainda está longe de ser uma mídia realmente colaborativa. Eles se apropriam das novas ferramentas colaborativas para continuarem perpetuando seus antigos meios de produção e consumo de conteúdo, totalmente proprietários. Para mim, somente mais do mesmo, até então, nada de surpreendente. Vale a pena dar uma olhada no “making off” da resportagem.

O que fica evidente é que estamos no cerne de um movimento (senão revolução) gigantesco, que surgiu na Internet, mas influencia todas as outras formas de produção e consumo, abrindo um precedente incrível no qual podemos hoje escolher um mundo no qual podemos nos “dês-darwinizarmos”, tornando o mundo menos proprietário e mais colaborativo.

Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009

Qual o limite?



Estava eu, navegando feliz e contente, quando decidi assistir um videozinho enquanto desocupavam o banheiro =)

Havia saído da sala, justamente, por não querer ver TV.

Eis que assistindo o vídeo, me deparo com a propaganda acima.
Isso me fez pensar se existe ainda liberdade na internet, se é que algum dia existiu de fato.



Quarta-feira, Janeiro 28, 2009

Quatro anos...

Hoje é o tão esperado dia da minha colação de grau.

Quatro longos anos, com muitos momentos felizes... momentos de apatia e melancolia.
Momentos de entusiasmo e desanimo!

Após quatro anos estudando para enfim pegar o Canudo, me pergunto se valeu a pena.
Numa rápida reflexão, penso que valeu à pena não pelo curso, mas pelas pessoas que pude conhecer por estar fazendo esse curso. Isso sim, será meu maior bem, o que levarei inevitavelmente, pro resto da vida.

Não dá pra não olhar pra trás, e olhar o curso universitário numa ótica bem crítica!
Hoje, o ensino é somente mais um negócio, dominado por grandes corporações de ensino. Somente um "status quo" necessário para continuarmos inseridos nas mesmas engrenagens que perpetuam esse sistema educacional falido e ultrapassado.

Após quatro anos, o sentimento que está presente em mim relacionado à colação é de alívio...

Campus Party - Fim

Salve...

Enfim a Campus Party chega ao fim!!!

Foram 7 dias de muita conversa, alegria, trocas, compartilhamento... Conheci coisas novas, lugares novos, pessoas novas! Foram 7 dias fantásticos, bastante intensos.
No meu balanço final, sem dúvida alguma, valeu muito ter participado da Campus Party.

Porém, no último dia, minha única preocupação era me despedir dos amigos, e dar meu último rolê por São Paulo. O lugar escolhido foi a Avenida Paulista.

Difícil explicar a sensação que me invade todas as vezes que estou lá... Para mim, é como se estivesse no centro do País. A diversidade de pessoas cruzando seu caminho, os tamanhos dos prédios, com suas antenas que os fazem maiores ainda, carros, buzinas, frenesi, caos... Enfim, impossível traduzir em palavras, minha contemplação por aquele lugar.

É isso, a Campus Party terminou, o retorno é inevitável... O que me alegra, é que tenho mais uma semaninha de férias e minha formatura!

Fotos no Flickr.